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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Crise sem fim?



Por que países ricos do Golfo não abrem portas para refugiados sírios?
Amira Fathalla BBC Monitoring







Milhares de refugiados sírios tentam entrar em países europeus, fugindo da guerra civil que já dura cinco anos.

A imagem de um menino sírio de três anos morto numa praia na Turquia após o barco em que estava com a família ter naufragado na tentativa de chegar à Grécia chocou o mundo e chamou atenção para a crise de refugiados e imigrantes na Europa.

Mas por que os cerca de quatro milhões de sírios expulsos do país pela guerra não buscam asilo nos países ricos do Golfo Pérsico, relativamente próximos e com a mesma religião dominante e língua?

Segundo a Anistia Internacional, 95% dos refugiados sírios estão em apenas cinco países: Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito. A Turquia, com 1,6 milhão de refugiados sírios, e o Líbano, com 1,1 milhão, são os principais destinos.

O número de refugiados sírios abrigados pela Turquia é 10 vezes maior que o número de pedidos de asilo recebidos por todos os 28 países da União Europeia nos últimos três anos.

Oficialmente, sírios podem solicitar um visto de turista ou permissão de trabalho para entrar em países do Golfo. Mas o processo é caro, e há a percepção generalizada de restrições veladas que dificultam, na prática, a obtenção de vistos.

Os sírios que conseguem visto em geral já estavam em países do Golfo e ampliam a permanência, ou fizeram o pedido por terem familiares na região.

A dificuldade gerou críticas de organizações em defesa dos Direitos Humanos.

"Adivinhem quantos refugiados os países do Golfo ofereceram receber?", questionou no Twitter o diretor-executivo da Human Rights Watch Keneth Roth. "Zero", aponta um relatório da Anistia Internacional fazendo referência a cinco países ricos do Golfo: Catar, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein.


Bem vindos?
Sírios necessitam de visto para entrar em quase todos os países árabes. Apenas Argélia, Mauritânia, Sudão e Iêmen permitem a entrada sem visto.

A riqueza e proximidade da Síria levou muitos a questionarem se os países do Golfo não teriam uma obrigação maior que a Europa com os refugiados sírios, que sofrem com o conflito e o fortalecimento de grupos jihadistas no país, como o autodenominado "Estado Islâmico".

Muitos citam ainda como argumento o papel que alguns desses países tiveram na Guerra da Síria. "Em graus variados, grupos na Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes e Kuwait investiram no conflito sírio", diz o jornal americano Washington Post.

"Muitos bancaram e armaram uma constelação de grupos rebeldes e facções islâmicas em luta contra o regime do presidente sírio Bashar Al-Assad."

Mas apesar dos apelos, a posição de países do Golfo não deverá mudar.

A tendência na maioria destes países, como Kuwait, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, é permitir a entrada apenas de trabalhadores do sudeste asiático e Índia – particularmente para postos de trabalho pouco qualificados.

Mesmo árabes estrangeiros de qualificação média, de áreas como por exemplo educação e saúde, dificilmente conseguem visto para países como Kuwait e Arábia Saudita, que querem proteger os empregos de seus cidadãos.

Residentes estrangeiros também enfrentam dificuldades para criar vidas estáveis nestes países. já que é praticamente impossível obter nacionalidade.

Em 2012, o Kuwait chegou a anunciar uma estratégia oficial para reduzir o número de trabalhadores estrangeiros no país em um milhão no período de 10 anos.

domingo, 23 de agosto de 2015

Ocidente e oriente se unindo

Reino Unido reabre embaixada em Teerã quatro anos após invasão
Por Agência Brasil* Edição:Denise Griesinger

O chefe da diplomacia britânica, Philip Hammond, reabriu hoje (23) a embaixada do seu país em Teerã, quatro anos após a invasão da embaixada britânica na capital iraniana por manifestantes favoráveis ao regime do então presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, hostil a sanções mais duras contra o Irã relacionadas com o programa nuclear.
A reabertura da embaixada britânica em Teerã acontece simultaneamente à reabertura da embaixada iraniana em Londres, também fechada pelo mesmo período de quatro anos. Depois da cerimônia de abertura, Philip Hammond deverá reunir-se com vários líderes iranianos, incluindo o presidente, Hassan Rohani, e o chefe de diplomacia, Mohammad Javad Zarif. 
Esta é a primeira visita de um chefe da diplomacia britânica ao Irã desde 2003. Ela acontece depois de vários ministros europeus terem visitado Teerã em razão da assinatura do acordo histórico sobre o programa nuclear iraniano em 14 de julho.Os principais países europeus têm atualmente embaixada em Teerã, mas os Estados Unidos e o Canadá ainda não reabriram a deles.
"A reabertura de nossas embaixadas é um passo fundamental na melhoria das nossas relações bilaterais", disse Hammond, em comunicado divulgado pelo gabinete dos Negócios Estrangeiros, em Londres, antes da sua partida. 
O ministro afirmou que "isso não significa" que concordem em tudo, mas sublinhou que "é desejável que o Reino Unido e o Irã tenham missões diplomáticas recíprocas". 
"Primeiro, queremos garantir que o acordo nuclear seja um sucesso, particularmente no que diz respeito à promoção do comércio e do investimento, uma vez que as sanções serão levantadas", disse. 
Hammond está no Irã acompanhado por vários líderes empresariais.
O ministro britânico afirmou ainda que o Reino Unido e o Irã também deverão estar preparados para discutir os desafios que enfrentam, como o terrorismo, a estabilidade regional, a expansão do movimento do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, a luta contra o tráfico de drogas e migração.
Hammond acrescentou que a embaixada será inicialmente administrada pelo encarregado de negócios, mas adiantou que deverá ser nomeado um embaixador nos próximos meses.

*Com informações da Agência Lusa