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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Guerra ainda?



'OTAN empurra humanidade para Terceira Guerra Mundial'
© AFP 2016/ JANEK SKARZYNSKI
09:42 08.06.2016


Na segunda-feira (6), a OTAN iniciou seus maiores jogos militares, perto da fronteira russa, como parte do que os analistas chamam de "a provocação do verão", uma proposta para reacender a Guerra Fria destinada a forçar Moscou esgotar sua economia doméstica para acelerar a resposta das forças armadas a uma maior ameaça externa.


Os jogos militares, intitulados de Anakonda-16, têm lugar na Polônia na véspera da cúpula da OTAN em Varsóvia, onde altos representantes oficiais deverão aprovar a instalação de tropas permanentes no país e na Europa Oriental para combater o que eles apelidam de "uma agressão russa".


© AP Photo/ Czarek Sokolowski

Os exercícios militares, ao longo de dez dias, contam com a participação de 31.000 militares e milhares de veículos no que será o maior movimento de forças estrangeiras dentro da Polônia desde a Segunda Guerra Mundial, provocando memórias dolorosas entre os russos.

Em junho de 2015, o presidente russo Vladimir Putin tentou desmistificar o tema de discussão sobre a "agressão russa" apontando o absurdo de que a Rússia possa provocar uma guerra contra países-membros da OTAN.

"Penso que apenas uma pessoa louca e apenas em seus sonhos pode imaginar que a Rússia ataque de repente a OTAN", disse Putin, acrescentando que "na minha opinião, alguns países simplesmente estão tirando proveito do medo que as pessoas têm da Rússia".

Independentemente dos motivos, a escalada da presença militar da OTAN perto das fronteiras russas atingiu o abismo, com os EUA instalando um sistema antimísseis na Romênia e desenvolvendo um escudo independente antimísseis na vizinha Polônia.



© AFP 2016/ GEORGES GOBET

A administração de Obama não está sozinha em seus esforços para aumentar a retórica da ameaça. Nos últimos tempos, a Polônia pediu o aumento das tropas americanas e da ajuda militar, referindo preocupações de uma possível invasão por parte da Rússia. A Alemanha concordou em enviar tropas para os jogos de guerra, sendo a primeira vez desde que soldados alemães entraram em território polonês e desde este ter sido usado pelos nazistas como uma rota para invadir a União Soviética.

Na segunda-feira (6), os analistas de segurança Daniel McAdams e John Wight falaram à emissora Sputnik sobre a última ronda de provocações na fronteira russa e sobre se os falcões da OTAN procuram mais violência.

Qual é o objetivo dos jogos de guerra Anakonda-16?
"É uma série de muitos exercícios da OTAN na fronteira russa neste verão, podemos chamar a isso a provocação do verão", disse McAdams. "São os maiores exercícios militares e o maior movimento de forças estrangeiras na Polônia desde a Segunda Guerra Mundial. Assim, isto é muito significativo e tudo isso foi vendido em nome da proteção contra a agressão russa".

"Na verdade, são as tropas da OTAN que estão do lado de fora da fronteira russa e isso é uma provocação absoluta, é outro passo para dar um tapa na cara russa", explicou o analista de segurança.

A Polônia é estrategicamente importante para os EUA?
“A Polônia é imensamente importante por causa da inimizade histórica entre os poloneses e os russos por causa de território”, disse John Wight. “O Daniel está absolutamente certo quando chama isto como a provocação do verão, pois o que testemunhamos é o recrudescimento da política de contenção elaborada depois da Segunda Guerra Mundial”.

"A contenção, entretanto, é um termo errôneo porque isto não é uma política de contenção, mas sim uma política de agressão destinada a cercar a Rússia politicamente, economicamente e militarmente para pôr o governo russo paranóico e usar a pressão contra a Rússia para fazê-la implodir".

A Rússia é uma força contra a hegemonia dos EUA?
"Não diria que a Rússia é uma força contra a hegemonia, mas tiveram lugar certos eventos", disse McAdams. "…Penso que a Rússia tenha sido empurrada para essa posição. Mas, falando dos anos iniciais da administração de Obama, ainda existia uma ideia de melhorar as relações. Em vez disso, o que aconteceu com a administração de Obama é o que acontece com cada administração quando os neoconservadores irrompem e assumem a política externa".

"Há pessoas como Victoria Nuland, que serviu Dick Cheney antes de Barack Obama. O que eles pensavam permitindo que uma pessoa como aquela tomasse o controle, uma pessoa que é membro da família criminosa de neoconservadores Kagan, a mulher de Robert Kagan. É a maneira de que os neoconservadores fazerem isso e eles engoliram a administração de Obama como um câncer que se está espalhando", afirmou o analista de segurança.

"Os neoconservadores têm o controle sob a política de Obama nas relações com a Rússia e eu penso que eles estejam empurrando-nos para a Terceira Guerra Mundial", afirmou McAdams.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Nova guerra iniciando?



O secretário-geral da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC na sigla em inglês) Nikolai Bordyuzha, concedeu uma entrevista exclusiva à Sputnik.





Sputnik: Será que a OTSC tomará medidas para evitar a escalação da situação em Nagorno-Karabakh?

Nikolai Bordyuzha: A OTSC teve e tem participação neste problema através o seu potencial político. Mesmo aquilo que na altura o presidente Putin fez por via de se encontrar com os dois líderes e elaborar certos passos conjuntos dirigidos a atingir um compromisso foi precisamente a ação de um dos chefes de Estado da OTSC.
Outra questão é que hoje não só a OTSC, mas todos devem aceitar as medidas necessárias para que o conflito não aumente, que termine, que as ações militares, os bombardeios sejam cessadas. Ninguém precisa disso. Isso ameaça criar um conflito muito grande no Cáucaso. Por isso, os líderes, primeiramente do Azerbaijão, devem compreender isso.

S.: Muitos especialistas escreveram que se trata de tentativas de envolver a Rússia. Quem pode ter interesse nisso?

 © Sputnik/ Anton Denisov
N.B.: Eu não diria quem está interessado. Em todo o caso, aquilo que certos países fazem mostra realmente que estão sendo criados pontos de tensão, e não só no Cáucaso, para que a Rússia seja envolvida neles. Nós vemos como as autoridades turcas se comportam quando as suas ações não levam à cessação do derramamento de sangue na Síria e só agravam a situação. Por isso, eu não excluo que certas ações, pelo menos as declarações que foram feitas, especialmente pela chefia da Turquia em apoio da solução militar no Karabakh, mostrem que há forças que não seriam contra o desencadeamento de um conflito muito sério e de grande escala no Cáucaso.

S.: O que pode ser dito sobre as recentes negociações entre a Armênia e o Azerbaijão, agora que a Geórgia já partilhou da sua posição?

N.B.: Sabe, há mecanismos internacionais. Eles funcionam. Eles simplesmente atualmente devem intensificar a sua atividade e tentar pôr fim a esta fase ativa do conflito. Há o chamado grupo de Minsk. Eu acho que este grupo tem um mandato para exercer uma atividade intermediária.

S.: Recentemente [o representante permanente da Rússia na OTAN, Aleksandr] Grushko disse que a Rússia responderá à instalação por parte da OTAN dos seus tanques no leste da Europa. Como a Rússia poderia reagir? Será que estão sendo dados alguns passos?

 © Sputnik/ Pavel Gerasimov
N.B.: Sabe, a Rússia é obrigada a reagir porque a deslocação de armas pesadas nos países bálticos, o aumento do número de aviões que estão sendo usados para patrulhamento, a criação de novas estruturas militares, o restabelecimento da antiga infraestrutura militar, primeiramente nos países bálticos, é nada mais do que o aumento de atividade militar na proximidade das fronteiras russas. E a Rússia, como qualquer Estado saudável e normal, deve reagir, tomar medidas preventivas que garantam a sua prontidão para quaisquer ações imprevisíveis.

Mais do que isso, sabe, que a chefia dos países bálticos achou uma nova via de retirar dinheiro da Europa. Eles falam a todos que o exército russo começará em breve uma intervenção no território deles. É por isso, eu diria, que eles estão pedindo esmola, mas extorquem dinheiro dos seus irmãos mais velhos, provocando por este via o agravamento da situação na fronteira.

S.: O premiê e o presidente sérvios declaram que a Sérvia continuará mantendo neutralidade. Como a OTSC vê isso e será que no futuro a cooperação continuará, apesar disso?



 © AFP 2016/ ARMEND NIMANI
N.B.: É o direito soberano da Sérvia – determinar o seu estatuto. Hoje a Sérvia é um país neutro, que, em geral, não planeja entrar em blocos militares. Mas na Sérvia, como em qualquer país, é preciso garantir a segurança, é preciso contradizer os desafios que ele enfrenta. E você sabe que recentemente grandes massas de refugiados tinham inundado a Sérvia. É bom que a chefia da Sérvia tenha tratado da situação de forma eficaz. Mas, mesmo assim, o problema das drogas, como se diz, continua. As questões de terrorismo, de recrutamento de pessoas para participação em ações militares no território da Síria e do Iraque, tudo isso são os problemas, que não só a Rússia e os países-membros da OTSC enfrentam, mas também a Sérvia. São estas as direções nos quais nós podemos ter a cooperação frutuosa. 

 © AFP 2016/ MAXIM AVDEYEV
Mesmo a troca de informações sobre a avaliação da situação político-militar, a troca de experiências de realização de operações antiterroristas, a atividade militar, também são precisas. Por isso, há pontos de contato para a nossa interação. E, claro, nós vamos desenvolver a cooperação nestes pontos.

S.: Como a Sérvia pode manter a neutralidade no pano de fundo de aumento da presença da OTAN no leste da Europa?
N.B.: Não é uma questão para mim, mas eu acho que não há necessidade de entrar num bloco político-militar. Mais do que isso, quando vemos como certos países vizinhos são arrastados. Eu falo sobre o Montenegro. Mas cooperar com outros países, inclusive com a Rússia, é completamente viável e para isso não é de maneira nenhuma preciso mudar o seu estatuto. O mais importante é que exista a vontade política e o desejo de cooperar na garantia de segurança do povo e do país.